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"Uma obra tonal é uma projeção no tempo do acorde da tônica."
"A tonalidade não é, como por vezes se pretende, um sistema organizado em torno de uma nota central; todos os outros acordes perfeitos (maiores e menores) distribuem-se hierarquicamente à sua volta; chamado tônica, ele determina o tom de cada trecho."- Jean-Jacques Nattiez, Enciclopédia Einaudi, Volume 3, Artes "Tonal/Atonal".
O objetivo de uma linguagem é a comunicação de idéias. Tomando como exemplo a linguagem falada, as idéias, em geral, são mais racionais, e precisam ser corretamente interligadas para uma boa comunicação.
Se algo é necessário ser dito, é para retificar ou ratificar. O procedimento mais usual é o da dialética, que expõe uma idéia principal e outra oposta (tese e antítese). O desenvolvimento, baseado na articulação dos argumentos, leva a uma solução final (síntese).
A interligação de idéias é baseada principalmente nas relações de causa-consequência, concessão-oposição. Sendo a música uma linguagem emocional, é justificada a analogia descrita a seguir para encadear a dialética musical.
A dominante (V e VII graus) sempre conduz à tônica por causa da sensível. É uma relação imediata, onde a tônica é consequência da dominante. Tal relação é extendida imediatamente para quaisquer dominantes individuais.
A oposição introduz novas idéias harmônicas. Harmonicamente, isso ocorre quando há o salto para a mediante (através do intervalo de terça descendente do baixo). O caso particular é a relação de grau conjunto (II - I).
Desenvolvimento de idéias paralelas. Em geral, uma fica suspensa, caracterizando o pedal.
Falsa cadência.
Uma vez escolhida a tônica, o objetivo da música é atingir os pontos culminantes. Existem dois pontos culminantes: melódico e harmônico, e que podem ser extendidos para todos os outros parâmetros (dinâmica, textura, etc.). Em geral, estes dois não são coincidentes.
Numa peça clássica, a melodia do tema principal possui uma harmonia subordinada. Para atingir outra melodia (em outro tom), muitas vezes é necessário passar por uma transição harmônica. Nota-se que o desenvolvimento harmônico nesta transição é mais claro se não houver introdução de novos elementos melódicos! A regra é simples: subordinação da harmonia ou melodia, dependendo de qual é o principal no trecho em questão.
Nas transições, muitas vezes aparecem as progressões, que são os recursos mais lógicos da música clássica. O objetivo é ligar duas tonalidades através de graus conjuntos, utilizando pares de inter-relações.
Encadeamento exclusivo de dominantes individuais. Será sempre (*) descendente a cada par.
Encadeamento sucessivo de oposição, consequência. Será sempre (*) ascendente aos pares.
(*) Obviamente as excessões serão frutos de genialidade. Um grande exemplo de progressão consequênte ascendente está no Allegro da 2a. Sonata para violino solo de Bach. Mesmo neste caso, o baixo é descendente, mas o soprano se distancia apoiando-se em outros graus dos acordes!