Copyright (C) 1999. Todos os direitos reservados. Proibida cópia de qualquer material desta homepage.

Teoria da Música Tonal

Interligação de Idéias Musicais

Baseada na prática de instrumentação linguística do Prof. Mariante Moscardini, em sua teoria de inter-relação e interligação de idéias.

 

"Uma obra tonal é uma projeção no tempo do acorde da tônica."

"A tonalidade não é, como por vezes se pretende, um sistema organizado em torno de uma nota central; todos os outros acordes perfeitos (maiores e menores) distribuem-se hierarquicamente à sua volta; chamado tônica, ele determina o tom de cada trecho."- Jean-Jacques Nattiez, Enciclopédia Einaudi, Volume 3, Artes "Tonal/Atonal".

 

O objetivo de uma linguagem é a comunicação de idéias. Tomando como exemplo a linguagem falada, as idéias, em geral, são mais racionais, e precisam ser corretamente interligadas para uma boa comunicação.

Se algo é necessário ser dito, é para retificar ou ratificar. O procedimento mais usual é o da dialética, que expõe uma idéia principal e outra oposta (tese e antítese). O desenvolvimento, baseado na articulação dos argumentos, leva a uma solução final (síntese).

A interligação de idéias é baseada principalmente nas relações de causa-consequência, concessão-oposição. Sendo a música uma linguagem emocional, é justificada a analogia descrita a seguir para encadear a dialética musical.

Relação de causa-consequência

A dominante (V e VII graus) sempre conduz à tônica por causa da sensível. É uma relação imediata, onde a tônica é consequência da dominante. Tal relação é extendida imediatamente para quaisquer dominantes individuais.

Relação de concessão-oposição

A oposição introduz novas idéias harmônicas. Harmonicamente, isso ocorre quando há o salto para a mediante (através do intervalo de terça descendente do baixo). O caso particular é a relação de grau conjunto (II - I).

Concomitância

Desenvolvimento de idéias paralelas. Em geral, uma fica suspensa, caracterizando o pedal.

Condição

Falsa cadência.

Estruturação da obra

Uma vez escolhida a tônica, o objetivo da música é atingir os pontos culminantes. Existem dois pontos culminantes: melódico e harmônico, e que podem ser extendidos para todos os outros parâmetros (dinâmica, textura, etc.). Em geral, estes dois não são coincidentes.

Numa peça clássica, a melodia do tema principal possui uma harmonia subordinada. Para atingir outra melodia (em outro tom), muitas vezes é necessário passar por uma transição harmônica. Nota-se que o desenvolvimento harmônico nesta transição é mais claro se não houver introdução de novos elementos melódicos! A regra é simples: subordinação da harmonia ou melodia, dependendo de qual é o principal no trecho em questão.

Nas transições, muitas vezes aparecem as progressões, que são os recursos mais lógicos da música clássica. O objetivo é ligar duas tonalidades através de graus conjuntos, utilizando pares de inter-relações.

Progressão Consequente

Encadeamento exclusivo de dominantes individuais. Será sempre (*) descendente a cada par.

Progressão por Oposição

Encadeamento sucessivo de oposição, consequência. Será sempre (*) ascendente aos pares.

(*) Obviamente as excessões serão frutos de genialidade. Um grande exemplo de progressão consequênte ascendente está no Allegro da 2a. Sonata para violino solo de Bach. Mesmo neste caso, o baixo é descendente, mas o soprano se distancia apoiando-se em outros graus dos acordes!


E-mail: paulinyi@yahoo.com .
Homepage: http://get.to/paulinyi