Este ensaio foi publicado na revista literária Palavra,
AFEMIL, Ano VII, número 2, 1998.
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Pediram-me que escrevesse sobre as esculturas de Camille Claudel. Suas estátuas não são perfeitas; muito pelo contrário, as superfícies são ásperas e frias, vários pedestais nem foram trabalhados. Várias feições modeladas não eram alegres, nem os modelos escolhidos eram bonitos. Algumas estátuas eram até repugnantes, por lembrarem a morte e decomposição. Isso é bonito? Sim: maravilhoso. Porque em cada parte da escultura era possível sentir as emoções que Camille tinha. Cada irregularidade do material cristalizou um ideal seu. Cada escultura representa a mensagem de Camille, reforçada pela estrutura sólida que ergue também sua personalidade.
Afinal, o que torna a arte bonita? Por que, mesmo sendo extremamente complexa, atrai tanto as pessoas? A beleza está na forma? Se assim fosse, a representação de sentimentos tristes não teria lugar na arte, e não é isso que se constata. Além disso, a aparência sempre pode enganar. Como os valores estéticos evoluem, criações artísticas estariam sujeitas a termos de validade... Então, será que a beleza está toda na essência? Ora, a essência não existe sozinha. Para ser concreta, deve estar contida em alguma forma. Por outro lado, a forma, sem conteúdo, é friamente vazia.
Então, em que se baseia a arte? Arte não deve ser avaliada de acordo com sua beleza, mas de acordo com a capacidade de comunicação. Obviamente, a estética é fundamental na disseminação e recepção de idéias. Mas a imagem apodrece, a forma se deteriora. Só a essência fica; somente a mensagem sobrevive.
Parece-me que a beleza está no equilíbrio entre forma e essência. Isso é apenas alcançado determinando-se claramente todos os propósitos da criação. As obras mais notáveis ilustram uma verdadeira hierarquia de objetivos: os menores detalhes reforçam a estrutura dos maiores; já o objeto inteiro reflete o objetivo e ideal do próprio criador.
Portanto, beleza não é intencional, mas consequência. Não é passível de julgamento, mas de contemplação indagadora.
Espero, assim, ter transmitido minha opinião sobre todas as esculturas artísticas.
Zoltan Paulinyi.